{"id":723,"date":"2026-09-18T20:54:07","date_gmt":"2026-09-18T23:54:07","guid":{"rendered":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/?p=723"},"modified":"2026-09-18T21:30:32","modified_gmt":"2026-09-19T00:30:32","slug":"osteoporose-na-tetraplegia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/osteoporose-na-tetraplegia\/","title":{"rendered":"Osteoporose na tetraplegia: minha experi\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu descobri a <strong>osteoporose na tetraplegia<\/strong> quase por acaso. Depois de quase 23 anos vivendo com uma les\u00e3o medular cervical, fiz em 2026 a primeira densitometria \u00f3ssea da minha vida no Hospital SARAH, em Belo Horizonte. At\u00e9 ent\u00e3o, nenhum m\u00e9dico tinha conversado comigo sobre perda de massa \u00f3ssea ou osteoporose.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu j\u00e1 imaginava que tantos anos sem caminhar e sem colocar peso nas pernas poderiam enfraquecer meus ossos, mas isso era apenas uma suposi\u00e7\u00e3o minha. Eu n\u00e3o tinha sintomas que me fizessem pensar em osteoporose. O diagn\u00f3stico apareceu no exame.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Importante:<\/strong> este texto conta a minha experi\u00eancia pessoal. Os exames, medicamentos e doses citados aqui fazem parte do tratamento que foi prescrito para mim. N\u00e3o use meu tratamento como orienta\u00e7\u00e3o para se medicar. Osteoporose, vitamina D e risco de fratura precisam ser avaliados individualmente por um profissional de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"#como-descobri\">Como descobri a osteoporose<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#densitometria\">O que apareceu na minha densitometria<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#silenciosa\">No meu caso, a osteoporose foi silenciosa<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#fraturas\">As fraturas que tive depois da les\u00e3o medular<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#como-foi-exame\">Como foi fazer a densitometria sendo tetrapl\u00e9gico<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#lesao-medular\">Osteoporose na tetraplegia e perda de massa \u00f3ssea<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#vitamina-d\">Vitamina D e minha pouca exposi\u00e7\u00e3o ao sol<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#tratamento\">O tratamento que foi prescrito para mim<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#exercicios-transferencias\">Meu cuidado com exerc\u00edcios e transfer\u00eancias depois do diagn\u00f3stico<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#acompanhamento\">O que ainda est\u00e1 pendente no meu acompanhamento<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 id=\"como-descobri\" class=\"wp-block-heading\">Como descobri a osteoporose<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A densitometria foi realizada em <strong>26 de junho de 2026<\/strong>. Eu nem sabia direito para que servia esse exame. Quando vi a palavra \u201cdensitometria\u201d entre os exames do portal, era algo completamente novo para mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sei exatamente por que a m\u00e9dica solicitou o exame. N\u00e3o havia uma dor nova, uma fratura recente ou outro sintoma espec\u00edfico que tivesse levado ao pedido. Minha impress\u00e3o \u00e9 que pode ter rela\u00e7\u00e3o com o longo tempo de les\u00e3o medular, mas isso <strong>n\u00e3o foi explicado para mim<\/strong>, ent\u00e3o n\u00e3o quero apresentar essa suposi\u00e7\u00e3o como fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que eu sei \u00e9 que essa foi a primeira densitometria que fiz desde o acidente de 2003. Depois, no acompanhamento do <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/hospital-sarah-e-lesao-medular\/\">Hospital SARAH<\/a>, o resultado foi tratado como osteoporose e recebi a proposta de iniciar tratamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"densitometria\" class=\"wp-block-heading\">O que apareceu na minha densitometria<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O laudo concluiu que os valores encontrados eram <strong>compat\u00edveis com osteoporose<\/strong>. Uma coisa que chamou minha aten\u00e7\u00e3o foi a diferen\u00e7a entre a coluna e os membros inferiores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Regi\u00e3o avaliada<\/th><th>T-score do meu exame<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Coluna lombar L1-L4<\/td><td>-0,5<\/td><\/tr><tr><td>F\u00eamur esquerdo \u2014 total<\/td><td>-2,9<\/td><\/tr><tr><td>Colo do f\u00eamur esquerdo<\/td><td>-4,1<\/td><\/tr><tr><td>Joelho \u2014 ep\u00edfise femoral distal<\/td><td>-4,2<\/td><\/tr><tr><td>Joelho \u2014 met\u00e1fise femoral distal<\/td><td>-3,8<\/td><\/tr><tr><td>Joelho \u2014 ep\u00edfise tibial proximal<\/td><td>-2,5<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses n\u00fameros s\u00e3o do <strong>meu laudo<\/strong>. N\u00e3o devem ser usados para algu\u00e9m comparar um resultado isolado e chegar sozinho a um diagn\u00f3stico. A interpreta\u00e7\u00e3o depende do local medido, da idade, do sexo, da base de refer\u00eancia utilizada e do contexto cl\u00ednico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje eu entendo melhor por que o exame do joelho foi importante. A <a href=\"https:\/\/iscd.org\/official-positions-2023\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">International Society for Clinical Densitometry (ISCD)<\/a> (em ingl\u00eas) recomenda que adultos com les\u00e3o medular permanente sejam avaliados tamb\u00e9m no quadril, f\u00eamur distal e t\u00edbia proximal. Esses locais s\u00e3o especialmente relevantes porque a perda \u00f3ssea ap\u00f3s les\u00e3o medular n\u00e3o acontece da mesma forma em todo o esqueleto.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"silenciosa\" class=\"wp-block-heading\">No meu caso, a osteoporose foi silenciosa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da densitometria eu n\u00e3o percebi nenhuma mudan\u00e7a que hoje consiga apontar e dizer: \u201cisso era osteoporose\u201d. Para mim, ela foi completamente silenciosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu sinto dores, fisgadas, formigamentos nas m\u00e3os e nos p\u00e9s e uma dor que pode aumentar quando minha bexiga est\u00e1 cheia, mas isso j\u00e1 fazia parte do meu quadro de <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/dor-neuropatica-na-tetraplegia\/\">dor neurop\u00e1tica<\/a>. Essas dores n\u00e3o come\u00e7aram junto com a descoberta da osteoporose.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso combina com uma caracter\u00edstica conhecida da doen\u00e7a: a osteoporose muitas vezes evolui sem sintomas percept\u00edveis at\u00e9 que uma fratura aconte\u00e7a. No meu caso, o exame mostrou o problema antes de uma nova fratura.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"fraturas\" class=\"wp-block-heading\">As fraturas que tive depois da les\u00e3o medular<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do acidente, as \u00fanicas fraturas de que me lembro foram em dois dedos da m\u00e3o direita: o mindinho e o dedo ao lado dele. Isso aconteceu nos primeiros meses depois da les\u00e3o, quando meu irm\u00e3o fazia exerc\u00edcios em mim em casa e n\u00f3s ainda n\u00e3o t\u00ednhamos conhecimento nem orienta\u00e7\u00e3o adequada sobre fisioterapia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu <strong>n\u00e3o sei<\/strong> se naquela \u00e9poca eu j\u00e1 tinha alguma perda importante de massa \u00f3ssea e n\u00e3o considero correto atribuir aquelas fraturas \u00e0 osteoporose de hoje. Foi um epis\u00f3dio muito antigo, poucos meses depois do acidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inclusive, j\u00e1 contei em outro artigo alguns dos problemas que aconteceram quando pessoas tentavam me movimentar sem experi\u00eancia. Esse epis\u00f3dio est\u00e1 no texto sobre <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/erros-cuidadores-lesado-medular\/\">erros no cuidado de pessoas com les\u00e3o medular<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"como-foi-exame\" class=\"wp-block-heading\">Como foi fazer a densitometria sendo tetrapl\u00e9gico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fazer o exame n\u00e3o foi doloroso, mas o posicionamento deu trabalho. Precisei ser transferido da cadeira de rodas para a maca do aparelho. A m\u00e1quina me lembrou visualmente uma m\u00e1quina de tomografia, embora a densitometria seja um exame diferente, feito por DXA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram avaliadas a coluna, o f\u00eamur e a regi\u00e3o do joelho. Minha maior dificuldade foi ficar parado. Quando minhas pernas s\u00e3o esticadas, tenho <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/espasticidade-na-lesao-medular\/\">espasmos<\/a>, e elas podem come\u00e7ar a pular. A pessoa que estava comigo precisou ajudar a segurar e posicionar minhas pernas para que eu permanecesse na posi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria durante as imagens.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/densitometria-ossea-lesao-medular-1024x576.webp\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de exame de densitometria \u00f3ssea em pessoa com les\u00e3o medular e cadeira de rodas ao lado\" class=\"wp-image-725\" srcset=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/densitometria-ossea-lesao-medular-1024x576.webp 1024w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/densitometria-ossea-lesao-medular-300x169.webp 300w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/densitometria-ossea-lesao-medular-768x432.webp 768w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/densitometria-ossea-lesao-medular-1536x864.webp 1536w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/densitometria-ossea-lesao-medular.webp 1672w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa dificuldade de posicionamento \u00e9 uma parte que raramente aparece quando algu\u00e9m simplesmente diz \u201cfa\u00e7a uma densitometria\u201d. Para quem tem tetraplegia, espasticidade e depend\u00eancia para transfer\u00eancia, existe toda uma log\u00edstica por tr\u00e1s de um exame que para outras pessoas pode ser bastante simples.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"lesao-medular\" class=\"wp-block-heading\">Osteoporose na tetraplegia e perda de massa \u00f3ssea<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando comecei a pesquisar sobre osteoporose na tetraplegia, descobri que a perda \u00f3ssea depois de uma les\u00e3o medular \u00e9 mais complexa do que eu imaginava. Antes disso, eu associava minha osteoporose principalmente ao fato de n\u00e3o caminhar e n\u00e3o colocar peso sobre as pernas. Eu at\u00e9 pensava no que acontece com astronautas em ambientes sem a mesma carga da gravidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de carga mec\u00e2nica realmente faz parte da explica\u00e7\u00e3o, mas hoje sei que a perda \u00f3ssea depois de uma les\u00e3o medular \u00e9 mais complexa. Revis\u00f5es m\u00e9dicas descrevem uma combina\u00e7\u00e3o de desuso, altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, mudan\u00e7as no metabolismo \u00f3sseo e outros fatores individuais. A perda tende a ser mais intensa nos primeiros anos ap\u00f3s a les\u00e3o e \u00e9 especialmente importante nos ossos abaixo do n\u00edvel neurol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/osteoporose-perda-massa-ossea-1024x576.webp\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o comparando estrutura \u00f3ssea preservada e osso com osteoporose\" class=\"wp-image-727\" srcset=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/osteoporose-perda-massa-ossea-1024x576.webp 1024w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/osteoporose-perda-massa-ossea-300x169.webp 300w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/osteoporose-perda-massa-ossea-768x432.webp 768w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/osteoporose-perda-massa-ossea-1536x864.webp 1536w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/osteoporose-perda-massa-ossea.webp 1672w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC7384544\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">guia cl\u00ednico sobre sa\u00fade \u00f3ssea na les\u00e3o medular<\/a> (em ingl\u00eas) destaca que as fraturas nessa popula\u00e7\u00e3o ocorrem com frequ\u00eancia ao redor do joelho, principalmente no f\u00eamur distal e na t\u00edbia proximal. Isso ajuda a entender por que olhar apenas para a coluna n\u00e3o conta toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra coisa que eu pensava era que talvez a osteoporose fosse um destino certo para todo lesado medular. A literatura n\u00e3o permite dizer isso. O risco \u00e9 maior, mas a quantidade de perda \u00f3ssea varia de uma pessoa para outra e depende de v\u00e1rios fatores.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"vitamina-d\" class=\"wp-block-heading\">Vitamina D e minha pouca exposi\u00e7\u00e3o ao sol<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vitamina D baixa n\u00e3o era novidade para mim. Eu j\u00e1 vinha suplementando havia anos, mas algum tempo antes desses exames parei de comprar e deixei de usar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha exposi\u00e7\u00e3o ao sol \u00e9 muito pequena. Saio da cama, vou para o banheiro, tomo banho e volto para a cadeira. Passo grande parte do dia dentro do quarto. Por isso, a vitamina D j\u00e1 era um assunto que aparecia nos meus exames havia bastante tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos anos, tamb\u00e9m ouvi orienta\u00e7\u00f5es diferentes sobre qual seria o valor considerado adequado. Isso me deixou confuso. Hoje prefiro n\u00e3o transformar um n\u00famero isolado em regra para outras pessoas. Diretrizes diferentes podem usar crit\u00e9rios diferentes, principalmente quando se compara uma pessoa saud\u00e1vel com algu\u00e9m que j\u00e1 tem uma doen\u00e7a \u00f3ssea diagnosticada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meu caso, o m\u00e9dico prescreveu colecalciferol ap\u00f3s os exames. A dose e o tempo de uso que aparecem na minha receita s\u00e3o espec\u00edficos para o meu tratamento e n\u00e3o s\u00e3o uma recomenda\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 lendo.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"tratamento\" class=\"wp-block-heading\">O tratamento que foi prescrito para mim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do resultado, o m\u00e9dico perguntou se eu queria tratar a osteoporose. Para mim, a resposta foi sim. Meu receio foi pensar em uma fratura durante uma transfer\u00eancia ou durante um exerc\u00edcio feito com mais for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tratamento prescrito para mim incluiu <strong>alendronato 70 mg<\/strong>, de uso semanal, e <strong>colecalciferol 50.000 UI<\/strong>, tamb\u00e9m em esquema semanal por um per\u00edodo determinado na receita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refor\u00e7o: estou registrando o que foi receitado <strong>para mim<\/strong>. N\u00e3o compre nem use esses medicamentos com base neste artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do alendronato, a pr\u00f3pria receita orienta que eu tome pela manh\u00e3, em jejum, permane\u00e7a sentado e espere pelo menos 30 minutos antes da primeira refei\u00e7\u00e3o e de outros medicamentos. Essas orienta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m aparecem nas <a href=\"https:\/\/dailymed.nlm.nih.gov\/dailymed\/drugInfo.cfm?setid=d52cf007-5775-4dea-9f43-b1907b6ffe81\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">informa\u00e7\u00f5es oficiais de uso do alendronato<\/a>. (em ingl\u00eas)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escolhi a quarta-feira para o alendronato. Como dependo de outra pessoa para me ajudar a sentar, j\u00e1 percebi uma dificuldade pr\u00e1tica: se a pessoa que normalmente vem nesse dia faltar, preciso ter um plano B com meu pai. Em uma semana isso aconteceu e acabei tomando no dia seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto espero os 30 minutos, aproveito para fazer outras coisas da minha rotina, como a massagem abdominal que aprendi no SARAH e a higiene bucal. At\u00e9 agora, n\u00e3o senti queima\u00e7\u00e3o, dor no est\u00f4mago ou outro desconforto que eu consiga relacionar ao medicamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O colecalciferol ficou para o s\u00e1bado. Minha m\u00e3e tamb\u00e9m tem suplementa\u00e7\u00e3o prescrita para esse dia e um acaba lembrando o outro. Eu ainda uso a Alexa para criar lembretes \u2014 uma das v\u00e1rias automa\u00e7\u00f5es que adaptei em casa para conseguir fazer mais coisas com comandos de voz.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"exercicios-transferencias\" class=\"wp-block-heading\">Meu cuidado com exerc\u00edcios e transfer\u00eancias depois do diagn\u00f3stico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do diagn\u00f3stico, eu fiquei mais apreensivo. Ainda n\u00e3o mudei completamente minha rotina, mas passei a prestar mais aten\u00e7\u00e3o na forma como meus bra\u00e7os e pernas s\u00e3o movimentados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ir da cadeira para a cama eu uso um <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/guincho-de-teto-artesanal-para-cadeirante\/\">guincho de teto<\/a>, o que reduz bastante a necessidade de algu\u00e9m me levantar no bra\u00e7o. Mesmo assim, se o suspens\u00f3rio n\u00e3o estiver bem posicionado nas costas, ele pode subir e puxar meus bra\u00e7os. Quando sinto que come\u00e7a a doer, pe\u00e7o para parar e reposicionar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m recebo ajuda para fazer movimentos nos bra\u00e7os e pernas a cada poucos dias. A pessoa que me ajuda \u00e0s vezes coloca mais for\u00e7a principalmente nos bra\u00e7os e ombros. Antes eu n\u00e3o pensava tanto nisso. Agora quero conversar com ela e deixar claro que tenho osteoporose e que os movimentos precisam ser feitos com cuidado e bom posicionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa que eu esteja dizendo que uma pessoa com osteoporose e les\u00e3o medular deve parar de fazer exerc\u00edcios. A pr\u00f3pria ISCD informa que n\u00e3o existe um valor \u00fanico de densidade \u00f3ssea abaixo do qual toda atividade com carga seja automaticamente proibida. O risco precisa ser avaliado junto com o quadro cl\u00ednico e com profissionais que conhe\u00e7am a pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje entendo que a osteoporose na tetraplegia tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o no acompanhamento de longo prazo da les\u00e3o medular.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"acompanhamento\" class=\"wp-block-heading\">O que ainda est\u00e1 pendente no meu acompanhamento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu ainda estou no come\u00e7o dessa hist\u00f3ria. N\u00e3o sei quando minha densitometria ser\u00e1 repetida porque o m\u00e9dico n\u00e3o definiu isso comigo na consulta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu pr\u00f3ximo retorno presencial no Ambulat\u00f3rio de Les\u00e3o Medular do SARAH est\u00e1 marcado para <strong>4 de mar\u00e7o de 2027<\/strong>. At\u00e9 l\u00e1, sigo o tratamento que foi prescrito e pretendo conversar melhor sobre o risco de fraturas, os exerc\u00edcios e o acompanhamento da sa\u00fade \u00f3ssea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As posi\u00e7\u00f5es oficiais da ISCD para les\u00e3o medular orientam que, quando a densitometria \u00e9 usada para acompanhar a resposta ao tratamento, sejam avaliados o quadril total, o f\u00eamur distal e a t\u00edbia proximal, geralmente depois de pelo menos 12 meses de tratamento e depois em intervalos de um a dois anos. Isso \u00e9 uma refer\u00eancia geral; o momento do meu pr\u00f3ximo exame dever\u00e1 ser definido pela equipe que me acompanha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que eu aprendi at\u00e9 agora<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez a maior surpresa tenha sido descobrir uma altera\u00e7\u00e3o importante sem sentir nada diferente. Depois de quase 23 anos de les\u00e3o medular, eu tinha aprendido a observar bexiga, intestino, pele, press\u00e3o, espasmos e dor neurop\u00e1tica, mas n\u00e3o estava acompanhando meus ossos com a mesma aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje eu vejo que sa\u00fade \u00f3ssea tamb\u00e9m precisa entrar na conversa de quem vive muitos anos com les\u00e3o medular. N\u00e3o porque toda pessoa ter\u00e1 exatamente o mesmo problema que eu, mas porque o risco existe e pode passar despercebido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea vive com les\u00e3o medular e nunca conversou sobre densidade \u00f3ssea, minha experi\u00eancia serve principalmente como um incentivo para levar essa pergunta \u00e0 sua equipe de sa\u00fade. N\u00e3o espere meu tratamento servir como receita para voc\u00ea. O mais importante \u00e9 descobrir qual \u00e9 a sua situa\u00e7\u00e3o e receber orienta\u00e7\u00e3o adequada para o seu caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Este artigo relata minha experi\u00eancia pessoal com tetraplegia e osteoporose e traz informa\u00e7\u00f5es gerais baseadas em fontes m\u00e9dicas. Ele n\u00e3o substitui avalia\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico ou tratamento profissional.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu descobri a osteoporose na tetraplegia quase por acaso. 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