{"id":743,"date":"2026-09-21T01:14:38","date_gmt":"2026-09-21T04:14:38","guid":{"rendered":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/?p=743"},"modified":"2026-09-21T12:15:19","modified_gmt":"2026-09-21T15:15:19","slug":"fisioterapia-na-tetraplegia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/fisioterapia-na-tetraplegia\/","title":{"rendered":"Fisioterapia na Tetraplegia: O Que Aprendi na Pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando sofri a les\u00e3o medular cervical em 2003, eu achava que fisioterapia era uma coisa bem diferente do que entendo hoje. No come\u00e7o, eu imaginava que fazer fisioterapia e ir para um hospital de reabilita\u00e7\u00e3o poderia \u201cconsertar\u201d a les\u00e3o e talvez me fazer voltar a andar. Com o tempo, aprendi que a realidade \u00e9 mais complexa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, depois de quase 23 anos vivendo com tetraplegia C4, vejo a <strong>fisioterapia na tetraplegia<\/strong> principalmente como parte de um processo cont\u00ednuo de reabilita\u00e7\u00e3o: preservar o que ainda consigo movimentar, cuidar da amplitude das articula\u00e7\u00f5es, lidar com espasticidade, posicionamento e contraturas e tentar manter o m\u00e1ximo de fun\u00e7\u00e3o poss\u00edvel dentro da minha realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo conta o que aconteceu comigo. N\u00e3o \u00e9 uma sequ\u00eancia de exerc\u00edcios para copiar. Les\u00e3o medular, for\u00e7a muscular, sensibilidade, espasticidade, contraturas, ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica e sa\u00fade \u00f3ssea variam muito de uma pessoa para outra. Movimentos, alongamentos, \u00f3rteses e exerc\u00edcios precisam ser adaptados individualmente, principalmente quando existe osteoporose, deformidade, dor ou outra complica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Index<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"#primeiros-meses\">Os primeiros meses: movimento sem entender o porqu\u00ea<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#dedos\">Os estalos nos dedos que nunca esqueci<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#sarah\">O que mudou quando cheguei ao Hospital SARAH<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#manter-rotina\">O mais dif\u00edcil foi manter a rotina depois<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#hoje\">Como s\u00e3o meus exerc\u00edcios hoje<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#espasmos\">O que percebo nos espasmos antes e depois<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#contraturas\">As limita\u00e7\u00f5es que acumulei ao longo dos anos<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#orteses\">As \u00f3rteses e talas que fizeram parte da minha rotina<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#osteoporose\">O medo de fratura depois da osteoporose<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#ossificacao\">O que meu exame realmente mostrou sobre a \u201ccalcifica\u00e7\u00e3o\u201d<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#andar\">Fisioterapia n\u00e3o \u00e9 promessa de voltar a andar<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"#conselho\">O conselho que eu daria para quem acabou de sofrer a les\u00e3o<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"primeiros-meses\">Os primeiros meses: movimento sem entender o porqu\u00ea<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fiquei 55 dias internado depois do acidente. Durante a interna\u00e7\u00e3o, fisioterapeutas faziam movimentos nos meus bra\u00e7os e nas minhas pernas. O problema \u00e9 que, pelo que me lembro, eu via aquilo acontecer, mas n\u00e3o entendia direito <em>por que<\/em> cada movimento era feito e nem como minha fam\u00edlia deveria continuar depois que eu voltasse para casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando recebi alta, n\u00f3s faz\u00edamos alguns movimentos por conta pr\u00f3pria. Eram espor\u00e1dicos e sem uma rotina bem organizada. Meus irm\u00e3os tentavam mexer meus bra\u00e7os, minhas m\u00e3os e meus dedos com a inten\u00e7\u00e3o de ajudar, mas n\u00f3s ainda n\u00e3o t\u00ednhamos recebido uma orienta\u00e7\u00e3o que nos desse seguran\u00e7a para fazer aquilo sozinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nessa fase que comecei a formar uma ideia errada sobre fisioterapia. Eu pensava mais ou menos assim: vou chegar ao SARAH, vou fazer fisioterapia e aquilo vai melhorar tudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje enxergo de outra maneira. A reabilita\u00e7\u00e3o ap\u00f3s uma les\u00e3o medular \u00e9 muito mais ampla do que \u201cfazer exerc\u00edcio\u201d. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade destaca a import\u00e2ncia de reabilita\u00e7\u00e3o multidisciplinar e acompanhamento cont\u00ednuo para otimizar fun\u00e7\u00e3o, independ\u00eancia e prevenir complica\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias depois da les\u00e3o medular. <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/spinal-cord-injury\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja a p\u00e1gina da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade sobre les\u00e3o medular<\/a> (em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"dedos\">Os estalos nos dedos que nunca esqueci<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das lembran\u00e7as mais marcantes daquela falta de orienta\u00e7\u00e3o aconteceu nas minhas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus irm\u00e3os faziam movimentos nos dedos, levando para frente e para tr\u00e1s. Em duas ocasi\u00f5es diferentes, durante esses movimentos, ouvimos um estalo. Como eu n\u00e3o sinto dor normalmente nas m\u00e3os, eu n\u00e3o senti que alguma coisa tinha acontecido naquele momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, percebemos que os dedos ficaram deformados. Um deles foi o mindinho e o outro foi o dedo ao lado. Eu sempre entendi aqueles epis\u00f3dios como fraturas por causa do estalo e da deformidade que permaneceu, embora eu n\u00e3o me lembre de ter tido confirma\u00e7\u00e3o por raio-X naquela \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse epis\u00f3dio ficou na minha cabe\u00e7a porque mostra uma coisa simples: boa inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o substitui t\u00e9cnica. N\u00f3s quer\u00edamos preservar movimento, mas n\u00e3o sab\u00edamos a quantidade de for\u00e7a, o posicionamento ou at\u00e9 onde aquela articula\u00e7\u00e3o podia ir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 contei outros epis\u00f3dios parecidos no artigo sobre <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/erros-cuidadores-lesado-medular\/\">erros que cuidadores cometem com pessoas com les\u00e3o medular<\/a>. N\u00e3o escrevo isso para culpar minha fam\u00edlia. Naquele momento, todo mundo estava aprendendo junto comigo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"sarah\">O que aprendi sobre fisioterapia na tetraplegia no Hospital SARAH<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi no <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/hospital-sarah-e-lesao-medular\/\">Hospital SARAH que comecei a entender melhor a reabilita\u00e7\u00e3o depois da les\u00e3o medular<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe passou a ensinar meu irm\u00e3o a fazer os movimentos de forma mais organizada, articula\u00e7\u00e3o por articula\u00e7\u00e3o. Nos bra\u00e7os, havia movimentos de eleva\u00e7\u00e3o, abertura, extens\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos cotovelos. Nos punhos, faz\u00edamos rota\u00e7\u00e3o, flex\u00e3o e extens\u00e3o. Nas m\u00e3os, o trabalho era dedo por dedo e articula\u00e7\u00e3o por articula\u00e7\u00e3o. Nas pernas, tamb\u00e9m havia mobiliza\u00e7\u00f5es de quadril, joelho e tornozelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais importante do que decorar um movimento espec\u00edfico foi entender o princ\u00edpio: <strong>posi\u00e7\u00e3o, controle e modera\u00e7\u00e3o importam<\/strong>. A orienta\u00e7\u00e3o era n\u00e3o fazer movimentos bruscos e n\u00e3o usar for\u00e7a para \u201cvencer\u201d uma articula\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi tamb\u00e9m no SARAH que comecei a usar \u00f3rteses e talas para manter determinadas posi\u00e7\u00f5es e aproveitar os movimentos que eu ainda tinha nos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquela \u00e9poca eu passei a entender a fisioterapia principalmente como uma forma de tentar preservar mobilidade e evitar que meu corpo fosse ficando cada vez mais preso em determinadas posi\u00e7\u00f5es. Hoje eu faria uma pequena corre\u00e7\u00e3o nessa frase: contraturas e perda de amplitude podem ter v\u00e1rios fatores envolvidos, como imobilidade, posicionamento, desequil\u00edbrio muscular e espasticidade. A fisioterapia faz parte desse cuidado, mas n\u00e3o \u00e9 correto reduzir tudo a \u201cfaltou exerc\u00edcio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O SCIRE, projeto especializado em evid\u00eancias sobre les\u00e3o medular, explica que \u00f3rteses s\u00e3o usadas na pr\u00e1tica para posicionamento e suporte de articula\u00e7\u00f5es e tecidos, inclusive com o objetivo de limitar contraturas, embora a evid\u00eancia cient\u00edfica sobre qual \u00f3rtese, estrat\u00e9gia e tempo de uso s\u00e3o melhores ainda seja limitada. <a href=\"https:\/\/scireproject.com\/evidence\/upper-limb\/therapy-based-interventions\/orthoses\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia a revis\u00e3o do SCIRE sobre \u00f3rteses na les\u00e3o medular<\/a> (em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"manter-rotina\">O mais dif\u00edcil foi manter a rotina depois<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois que sa\u00ed do SARAH, meu irm\u00e3o continuou me ajudando durante um per\u00edodo. Quando olho para quase 23 anos de les\u00e3o medular e somo os per\u00edodos em que realmente consegui manter uma rotina mais constante de fisioterapia, calculo algo pr\u00f3ximo de dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o foi por falta de tentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procurei estagi\u00e1rios em faculdades. Tamb\u00e9m cheguei a contratar fisioterapeutas e uma pessoa que trabalhava com pessoas acamadas. Um fisioterapeuta profissional me ajudou bastante durante alguns meses, mas eu n\u00e3o consegui manter o atendimento por muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m tive uma experi\u00eancia ruim com uma pessoa que acreditava que, se um movimento estava doendo, era justamente ali que precisava colocar mais for\u00e7a. No meu bra\u00e7o direito, que j\u00e1 tinha bastante limita\u00e7\u00e3o, ele chegou a usar uma faixa el\u00e1stica e puxar enquanto eu dizia que estava doendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do que eu tinha aprendido na reabilita\u00e7\u00e3o, aquilo n\u00e3o fazia sentido para mim. Eu dispensei o atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 uma das coisas que gostaria de ter entendido desde o in\u00edcio: <strong>for\u00e7ar mais n\u00e3o significa necessariamente fazer melhor<\/strong>. Quando uma pessoa tem les\u00e3o medular, perda de sensibilidade, contraturas ou baixa densidade \u00f3ssea, a seguran\u00e7a do movimento precisa ser individualizada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"hoje\">Como s\u00e3o meus exerc\u00edcios hoje<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, consigo fazer exerc\u00edcios com ajuda cerca de tr\u00eas vezes por semana. N\u00e3o \u00e9 uma fisioterapia completa e n\u00e3o fazemos todos os movimentos que j\u00e1 aprendi. A principal limita\u00e7\u00e3o continua sendo a mesma que atravessou boa parte da minha vida: falta de algu\u00e9m dispon\u00edvel para fazer tudo comigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos bra\u00e7os, fazemos alguns movimentos de eleva\u00e7\u00e3o, abertura e extens\u00e3o. Nos punhos, rota\u00e7\u00e3o e movimentos para frente e para tr\u00e1s. Nas pernas, fazemos mobiliza\u00e7\u00f5es envolvendo joelho, quadril e tornozelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na minha rotina, costumamos repetir cada movimento algumas vezes. N\u00e3o coloco aqui essa quantidade como recomenda\u00e7\u00e3o porque ela descreve apenas o que fazemos comigo. N\u00famero de repeti\u00e7\u00f5es, amplitude, velocidade e for\u00e7a n\u00e3o devem ser copiados de outra pessoa com les\u00e3o medular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando estou deitado, ainda consigo fazer alguns movimentos sozinho. Consigo elevar parcialmente o bra\u00e7o esquerdo e abrir os dois bra\u00e7os para os lados. O direito \u00e9 mais limitado: se levanto demais, n\u00e3o consigo sustentar o bra\u00e7o e minha m\u00e3o pode cair sobre meu rosto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas pernas n\u00e3o tenho movimento volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando usava as talas r\u00edgidas nos bra\u00e7os, eu conseguia aproveitar melhor o pouco movimento que tenho e levantar os bra\u00e7os da cama, chegando a aproxim\u00e1-los acima do corpo. Isso me dava um pouco mais de autonomia para fazer o exerc\u00edcio sem que outra pessoa movimentasse tudo por mim.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"espasmos\">O que percebo nos espasmos antes e depois dos exerc\u00edcios<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a que mais percebo depois dos exerc\u00edcios est\u00e1 nos bra\u00e7os. Quando passo um per\u00edodo sem fazer, sinto os bra\u00e7os mais pesados e duros. Depois da movimenta\u00e7\u00e3o, eles ficam mais leves. \u00c0s vezes a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que costumo dizer que \u201cparece que nem tenho bra\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas pernas acontece algo diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando come\u00e7am a esticar minhas pernas, meus espasmos podem aumentar bastante. O corpo inteiro pode participar: as pernas pulam, os bra\u00e7os podem se mexer junto e eu sinto o abd\u00f4men contrair. Em alguns momentos, isso deixa minha respira\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, depois que os movimentos continuam por um per\u00edodo, eu percebo que os espasmos v\u00e3o ficando mais brandos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa percep\u00e7\u00e3o combina parcialmente com o que aparece na literatura, mas n\u00e3o de forma t\u00e3o simples quanto \u201calongamento sempre diminui espasticidade\u201d. Revis\u00f5es do SCIRE mostram que movimentos passivos e alongamentos podem produzir redu\u00e7\u00e3o de curto prazo da espasticidade em algumas situa\u00e7\u00f5es, enquanto outros estudos n\u00e3o encontram benef\u00edcio claro. A resposta varia. <a href=\"https:\/\/scireproject.com\/evidence\/spasticity\/non-pharmacological-interventions\/passive-movement-or-stretching\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja a revis\u00e3o do SCIRE sobre movimento passivo e alongamento<\/a> (em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 contei com mais detalhes como esses espasmos aparecem no meu corpo no artigo sobre <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/espasticidade-na-lesao-medular\/\">spasticity in spinal cord injury<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m percebo que a <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/dor-neuropatica-na-tetraplegia\/\">dor neurop\u00e1tica<\/a> pode aumentar durante algumas mobiliza\u00e7\u00f5es. Por isso, quando descrevo que \u201cdepois fico melhor\u201d, isso n\u00e3o significa que toda parte da sess\u00e3o seja confort\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"contraturas\">As limita\u00e7\u00f5es que acumulei ao longo dos anos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje percebo limita\u00e7\u00f5es importantes em v\u00e1rias partes do meu corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu bra\u00e7o direito n\u00e3o estica completamente. Nos ombros, n\u00e3o consigo levar os bra\u00e7os at\u00e9 acima da cabe\u00e7a sem encontrar muita resist\u00eancia e dor se insistirem al\u00e9m do que meu corpo permite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos dois joelhos, as pernas n\u00e3o ficam totalmente retas sobre a cama. Quando estou deitado, permanece um espa\u00e7o atr\u00e1s do joelho. Nos tornozelos e p\u00e9s, perdi grande parte do movimento para cima, para baixo e para os lados. Se eu pudesse ficar em p\u00e9 da forma como estou hoje, meu calcanhar teria dificuldade para apoiar completamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m tenho limita\u00e7\u00e3o para abrir as pernas durante a higiene e percebo diferen\u00e7a no quadril quando sou virado para um lado ou para o outro. Parte dessa resist\u00eancia se mistura com os espasmos: determinados est\u00edmulos fazem minhas pernas fecharem com mais for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu pesco\u00e7o tamb\u00e9m tende a ficar projetado para frente. Quando deito, a parte de tr\u00e1s da cabe\u00e7a n\u00e3o encosta imediatamente na cama; depois de algum tempo e reposicionamento, ela se aproxima mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muitos anos eu resumi tudo isso dizendo: \u201cfaltou fisioterapia e vieram as contraturas\u201d. Hoje prefiro ser mais cuidadoso. A pouca regularidade dos movimentos provavelmente fez parte da minha hist\u00f3ria, mas eu n\u00e3o consigo atribuir cada limita\u00e7\u00e3o a uma \u00fanica causa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"orteses\">As \u00f3rteses e talas que fizeram parte da minha rotina<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No SARAH, usei talas longas nas pernas e nos bra\u00e7os. Eram pe\u00e7as r\u00edgidas moldadas para manter uma posi\u00e7\u00e3o. Eu costumava cham\u00e1-las de talas de poliuretano, embora n\u00e3o tenha hoje a especifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do material para afirmar exatamente qual pl\u00e1stico era usado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois dos exerc\u00edcios, coloc\u00e1vamos as talas nas pernas para tentar mant\u00ea-las mais estendidas. Nos bra\u00e7os, al\u00e9m do posicionamento, a tala permitia que eu aproveitasse melhor os movimentos que ainda tenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na minha rotina daquela \u00e9poca, eu conseguia permanecer com elas por cerca de uma hora ou um pouco mais. Depois come\u00e7avam a incomodar, esquentar e provocar suor. Como tenho uma les\u00e3o cervical alta e hist\u00f3rico de <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/disreflexia-autonomica-na-tetraplegia\/\">disreflexia auton\u00f4mica<\/a>, aprendi a n\u00e3o ignorar sinais de press\u00e3o ou desconforto que meu corpo d\u00e1 de outras maneiras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-esquerda-ronaldo-576x1024.webp\" alt=\"\u00d3rtese r\u00edgida com tiras de velcro posicionada no bra\u00e7o e na m\u00e3o de Ronaldo\" class=\"wp-image-745\" srcset=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-esquerda-ronaldo-576x1024.webp 576w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-esquerda-ronaldo-169x300.webp 169w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-esquerda-ronaldo-768x1366.webp 768w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-esquerda-ronaldo-864x1536.webp 864w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-esquerda-ronaldo.webp 899w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diretrizes especializadas lembram que dispositivos apertados podem funcionar como est\u00edmulos nocivos em pessoas suscet\u00edveis \u00e0 disreflexia auton\u00f4mica e recomendam verificar press\u00e3o, pele e dispositivos constritivos quando aparecem sintomas. <a href=\"https:\/\/pva.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/CPG_Spinal-Cord-Medicine_2022_FINAL.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Consulte a diretriz do Consortium for Spinal Cord Medicine<\/a> (em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o passar dos anos, deixei de usar as talas longas porque j\u00e1 n\u00e3o tinha quem as colocasse com regularidade. Elas ficaram guardadas, acumularam sujeira e acabaram sendo descartadas. Hoje penso que n\u00e3o precisava ter jogado toda a estrutura fora; talvez fosse poss\u00edvel ter substitu\u00eddo apenas as partes de tecido e acolchoamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00f3rtese que mais uso atualmente \u00e9 a da m\u00e3o esquerda. Meu espasmo tende a puxar o punho para uma posi\u00e7\u00e3o fechada, e no meu caso a \u00f3rtese com velcros consegue manter o punho mais estendido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-ronaldo-outro-angulo-576x1024.webp\" alt=\"Ronaldo usando \u00f3rtese de punho e m\u00e3o com estrutura r\u00edgida e tiras de velcro\" class=\"wp-image-746\" srcset=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-ronaldo-outro-angulo-576x1024.webp 576w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-ronaldo-outro-angulo-169x300.webp 169w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-ronaldo-outro-angulo-768x1366.webp 768w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-ronaldo-outro-angulo-864x1536.webp 864w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ortese-mao-ronaldo-outro-angulo.webp 899w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa que uma \u00f3rtese igual seja adequada para outra pessoa. Tipo, formato, posi\u00e7\u00e3o, tempo de uso e necessidade de ajustes precisam considerar pele, sensibilidade, espasticidade, fun\u00e7\u00e3o e objetivos individuais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"osteoporose\">O medo de fratura depois da osteoporose<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2026 fiz a primeira densitometria \u00f3ssea da minha vida e o laudo concluiu que havia valores compat\u00edveis com osteoporose. Depois disso, comecei a olhar para os movimentos e para as transfer\u00eancias com muito mais receio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu medo n\u00e3o aparece s\u00f3 durante os exerc\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para colocar o suspens\u00f3rio do meu <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/transferencia-cama-cadeira-guincho\/\">sistema de transfer\u00eancia da cama para a cadeira<\/a>, algu\u00e9m precisa me virar de um lado para o outro e passar parte do tecido pelas minhas costas e abaixo dos bra\u00e7os. Nessas manobras, meus bra\u00e7os estalam bastante. Hoje isso me preocupa mais do que antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m passei a pedir mais modera\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa que atualmente faz os exerc\u00edcios comigo, principalmente nos bra\u00e7os. Ela tem uma m\u00e3o muito forte, e eu preciso chamar a aten\u00e7\u00e3o para posi\u00e7\u00e3o e for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse receio n\u00e3o significa que eu deva simplesmente parar de me movimentar. O que mudou foi a necessidade de levar a sa\u00fade \u00f3ssea em conta. Diretrizes espec\u00edficas para pessoas com les\u00e3o medular mostram que a perda \u00f3ssea e as fraturas por fragilidade t\u00eam caracter\u00edsticas pr\u00f3prias nessa popula\u00e7\u00e3o, com aten\u00e7\u00e3o especial para regi\u00f5es como f\u00eamur distal e t\u00edbia proximal. Transfer\u00eancias tamb\u00e9m aparecem entre mecanismos relatados de fratura. A avalia\u00e7\u00e3o deve considerar densidade \u00f3ssea, hist\u00f3rico e outros fatores individuais. <a href=\"https:\/\/pva.org\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/updated_cpg_bone_health.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja a diretriz sobre sa\u00fade \u00f3ssea e osteoporose na les\u00e3o medular<\/a> (em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contei meus resultados e como descobri isso no artigo sobre <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/osteoporose-na-tetraplegia\/\">osteoporose na tetraplegia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meu caso, isso refor\u00e7a uma pergunta que quero levar para acompanhamento profissional: quais amplitudes e formas de mobiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o adequadas para mim agora, considerando minhas contraturas, espasticidade, ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica e osteoporose?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"ossificacao\">O que meu exame realmente mostrou sobre a \u201ccalcifica\u00e7\u00e3o\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo eu usei a palavra \u201ccalcifica\u00e7\u00e3o\u201d para falar daquilo que poderia acontecer nas articula\u00e7\u00f5es depois de anos com pouco movimento. Eu j\u00e1 tinha conhecido pessoas com les\u00e3o medular com limita\u00e7\u00f5es muito grandes e guardava essa imagem na cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2026, uma tomografia da minha pelve trouxe uma informa\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O laudo descreveu calcifica\u00e7\u00f5es em partes moles na regi\u00e3o posterolateral das coxas, pr\u00f3ximas aos m\u00fasculos gl\u00fateos, compat\u00edveis com <strong>ossifica\u00e7\u00f5es heterot\u00f3picas<\/strong>, com maior extens\u00e3o do lado direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso \u00e9 importante porque ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma \u201cjunta que calcificou por falta de exerc\u00edcio\u201d. Trata-se de forma\u00e7\u00e3o de tecido \u00f3sseo fora do esqueleto normal, algo que pode ocorrer depois de les\u00e3o medular e que pode limitar a amplitude de movimento quando acontece pr\u00f3ximo de uma articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura tamb\u00e9m n\u00e3o permite dizer que fazer movimentos, sozinho, \u201cimpede\u201d a ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica. A American Academy of Physical Medicine and Rehabilitation informa que o papel da mobiliza\u00e7\u00e3o e da amplitude de movimento na preven\u00e7\u00e3o e no tratamento da ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica ainda apresenta resultados mistos e precisa fazer parte de uma abordagem individualizada. <a href=\"https:\/\/now.aapmr.org\/heterotopic-ossifications\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia a revis\u00e3o da AAPM&amp;R sobre ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica<\/a> (em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, mudei a forma de falar sobre meu pr\u00f3prio exame: eu tenho uma limita\u00e7\u00e3o no quadril que percebo no dia a dia e meu exame mostrou ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica nas partes moles das coxas. Eu n\u00e3o posso afirmar sozinho qual parcela dessa limita\u00e7\u00e3o vem da ossifica\u00e7\u00e3o, da contratura, da espasticidade ou de outros fatores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"andar\">Fisioterapia n\u00e3o \u00e9 promessa de voltar a andar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma ideia que eu tinha no come\u00e7o e que j\u00e1 vi em outras fam\u00edlias \u00e9 esta: \u201cvou para um centro de reabilita\u00e7\u00e3o, vou fazer fisioterapia e vou sair andando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje eu n\u00e3o colocaria dessa forma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade de recuperar movimentos e eventualmente caminhar depois de uma les\u00e3o medular depende de fatores como n\u00edvel e gravidade da les\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica e evolu\u00e7\u00e3o individual. A fisioterapia e a reabilita\u00e7\u00e3o podem trabalhar fun\u00e7\u00e3o, for\u00e7a preservada, mobilidade, condicionamento, independ\u00eancia e preven\u00e7\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o s\u00e3o uma promessa de que a medula lesionada ser\u00e1 \u201cconsertada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso tamb\u00e9m n\u00e3o significa retirar a esperan\u00e7a de uma pessoa rec\u00e9m-lesionada. Significa trocar uma promessa que ningu\u00e9m pode fazer por objetivos reais de reabilita\u00e7\u00e3o, que podem mudar muito de uma pessoa para outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu mesmo cheguei ao SARAH carregando aquela esperan\u00e7a de que talvez sa\u00edsse andando. Antes da minha alta do primeiro hospital, j\u00e1 come\u00e7aram a me explicar que o SARAH era um hospital de reabilita\u00e7\u00e3o e que nem todo mundo que entrava ali sairia andando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Demorei para entender completamente, mas foi uma mudan\u00e7a importante na minha cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"conselho\">O conselho que eu daria para quem acabou de sofrer a les\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se eu pudesse voltar para os primeiros meses depois do acidente, gostaria que algu\u00e9m tivesse sentado comigo e com minha fam\u00edlia e explicado, com calma, como movimentar meu corpo, o que n\u00e3o for\u00e7ar, o que observar e por que aquela rotina seria importante ao longo dos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para uma pessoa com les\u00e3o medular recente e para a fam\u00edlia, meu conselho seria: <strong>procure orienta\u00e7\u00e3o profissional cedo e aprenda a fazer os movimentos corretamente antes de tentar reproduzi-los em casa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu faria tudo diferente se tivesse recebido esse aprendizado logo no come\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, n\u00e3o transformaria a fisioterapia numa promessa de cura ou de voltar a andar. Para mim, ela se tornou uma parte da manuten\u00e7\u00e3o do corpo e da vida com a tetraplegia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu costumo dizer que, para o lesado medular, a fisioterapia \u00e9 como um copo d\u2019\u00e1gua para o corpo: \u00e9 uma coisa que faz parte da vida.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na minha realidade, eu gostaria de ter conseguido manter essa rotina com muito mais regularidade. N\u00e3o consegui. Depend\u00eancia de cuidador, dinheiro, disponibilidade de profissionais e acontecimentos da vida interferiram no caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, quando fa\u00e7o os exerc\u00edcios hoje, percebo diferen\u00e7a. Meus bra\u00e7os ficam mais leves, os espasmos podem diminuir depois da sess\u00e3o e eu sinto que meu corpo responde melhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tenho pregui\u00e7a? Tenho. Muita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas uma coisa \u00e9 a pregui\u00e7a. Outra \u00e9 saber que, para mim, movimentar o que ainda pode ser movimentado continua fazendo parte do cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aviso de sa\u00fade:<\/strong> este artigo relata minha experi\u00eancia pessoal com tetraplegia C4 e fisioterapia ao longo de quase 23 anos. N\u00e3o use os movimentos, frequ\u00eancia, \u00f3rteses ou estrat\u00e9gias descritos aqui como prescri\u00e7\u00e3o. Pessoas com les\u00e3o medular podem apresentar osteoporose, ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica, espasticidade, altera\u00e7\u00f5es de sensibilidade, contraturas e outros fatores que mudam a seguran\u00e7a de uma mobiliza\u00e7\u00e3o. Procure avalia\u00e7\u00e3o individualizada de profissionais com experi\u00eancia em reabilita\u00e7\u00e3o e les\u00e3o medular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando sofri a les\u00e3o medular cervical em 2003, eu achava que fisioterapia era uma coisa bem diferente do que entendo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":747,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[17,35,36,8,11],"class_list":["post-743","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cuidados-e-saude","tag-cuidados-diarios","tag-espasticidade","tag-fisioterapia","tag-lesao-medular","tag-tetraplegia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=743"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":755,"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/743\/revisions\/755"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=743"}],"curies":[{"name":"Well played","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}