{"id":833,"date":"2026-09-25T23:58:30","date_gmt":"2026-09-26T02:58:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/?p=833"},"modified":"2026-09-26T19:19:23","modified_gmt":"2026-09-26T22:19:23","slug":"atrofia-muscular-na-tetraplegia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/atrofia-muscular-na-tetraplegia\/","title":{"rendered":"Muscle Atrophy After Spinal Cord Injury: What Happened to My Body"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Important notice:<\/strong> este artigo conta a minha experi\u00eancia pessoal com tetraplegia C4 e re\u00fane informa\u00e7\u00f5es gerais sobre les\u00e3o medular. N\u00e3o \u00e9 uma prescri\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios. Alongamentos, mobiliza\u00e7\u00f5es, \u00f3rteses e outras estrat\u00e9gias precisam considerar o n\u00edvel da les\u00e3o, contraturas, espasticidade, condi\u00e7\u00e3o \u00f3ssea e avalia\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>atrofia muscular na tetraplegia<\/strong> foi uma das mudan\u00e7as mais vis\u00edveis que aconteceram no meu corpo depois da les\u00e3o medular. Sofri o acidente em 20 de dezembro de 2003 e, ainda no primeiro ano, j\u00e1 dava para perceber que meu corpo n\u00e3o era mais o mesmo. Meu tronco diminuiu, meus bra\u00e7os afinaram muito e meus ombros perderam volume. As pernas demoraram mais para mudar, mas tamb\u00e9m perderam musculatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando conto isso, n\u00e3o estou falando apenas de est\u00e9tica. Com o tempo vieram tamb\u00e9m mais rigidez, perda de amplitude nas articula\u00e7\u00f5es, espasticidade, deformidades nas m\u00e3os e adapta\u00e7\u00f5es para continuar fazendo coisas simples, como comer, digitar, usar o celular e dirigir minha cadeira el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da les\u00e3o eu pesava por volta de 59 kg. Em 2026 cheguei a 68,9 kg. Mesmo pesando mais, visualmente tenho muito menos volume muscular nos bra\u00e7os e nas pernas e uma circunfer\u00eancia abdominal maior. Peso corporal, portanto, n\u00e3o conta sozinho a hist\u00f3ria do que aconteceu com meu corpo.<\/p>\n\n\n<h2>Index<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"#quando-percebi-atrofia\">Quando comecei a perceber a atrofia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#ombros-bracos\">Ombros e bra\u00e7os: onde a mudan\u00e7a ficou mais evidente<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#pernas-coxas-gluteos-pes\">Pernas, coxas, gl\u00fateos e p\u00e9s tamb\u00e9m mudaram<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#maos-mao-de-aranha\">Minhas m\u00e3os e o que ouvi chamar de \u201cm\u00e3o de aranha\u201d<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#dedos-deformados\">Os dois dedos da m\u00e3o direita que ficaram deformados<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#atrofia-contratura-espasticidade\">Atrofia, contratura, espasticidade e ossifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#gordura-abdominal\">Por que fiquei com bra\u00e7os finos e barriga maior?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#adaptacoes-dia-a-dia\">O que ainda consigo fazer com adapta\u00e7\u00f5es<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#fisioterapia-beneficios\">O que a fisioterapia mudou para mim<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#autoestima-corpo\">A mudan\u00e7a no corpo tamb\u00e9m mexeu com minha autoestima<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#conselho-lesao-medular\">O conselho que dou para quem sofreu uma les\u00e3o medular recentemente<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#atendimento-sarah\">Como solicitar atendimento no Hospital SARAH<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#o-que-aprendi\">O que aprendi vendo meu corpo mudar<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n<h2 id=\"quando-percebi-atrofia\" class=\"wp-block-heading\">Atrofia muscular na tetraplegia: quando comecei a perceber<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu j\u00e1 percebia a mudan\u00e7a no primeiro ano depois da les\u00e3o. Antes do acidente meu tronco era mais largo. Depois ele diminuiu bastante. Os bra\u00e7os foram afinando e, para mim, ficaram quase irreconhec\u00edveis em compara\u00e7\u00e3o com o que eram antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pernas demoraram um pouco mais para perder volume. Elas tamb\u00e9m atrofiaram, mas visualmente n\u00e3o mudaram tanto quanto meus bra\u00e7os. A diferen\u00e7a maior ficou nos ombros e nos membros superiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mudan\u00e7a que percebi logo no come\u00e7o \u00e9 compat\u00edvel com o que j\u00e1 foi descrito em estudos sobre les\u00e3o medular. A perda de massa muscular pode come\u00e7ar cedo, principalmente em m\u00fasculos paralisados ou pouco ativados, por uma combina\u00e7\u00e3o de perda ou redu\u00e7\u00e3o do comando neural, menor uso e menor carga mec\u00e2nica. Uma <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC10020380\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revis\u00e3o sobre atrofia muscular depois da les\u00e3o medular (em ingl\u00eas)<\/a> descreve redu\u00e7\u00e3o importante de \u00e1rea muscular j\u00e1 nas primeiras semanas ap\u00f3s a les\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa que todo mundo v\u00e1 perder musculatura na mesma velocidade ou da mesma forma. N\u00edvel e extens\u00e3o da les\u00e3o, m\u00fasculos ainda ativos, tempo de les\u00e3o, atividade, idade e outros fatores podem modificar bastante o quadro.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"ombros-bracos\" class=\"wp-block-heading\">Ombros e bra\u00e7os: onde a mudan\u00e7a ficou mais evidente<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-3-576x1024.webp\" alt=\"Dorso da m\u00e3o e antebra\u00e7o esquerdo de Ronaldo com rigidez e perda de volume muscular\" class=\"wp-image-844\" srcset=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-3-576x1024.webp 576w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-3-169x300.webp 169w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-3-768x1366.webp 768w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-3-864x1536.webp 864w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-3.webp 899w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atrofia aconteceu no bra\u00e7o inteiro, do ombro at\u00e9 a m\u00e3o, mas os ombros foram o que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o. O ombro esquerdo ficou mais atrofiado do que o direito. Eu sou destro e ainda movimento mais o lado direito, ent\u00e3o sempre associei essa diferen\u00e7a ao fato de usar mais esse lado. Isso \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o minha; n\u00e3o tenho um exame que prove que essa seja a \u00fanica causa da assimetria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, olhando meu corpo, a cabe\u00e7a parece maior em propor\u00e7\u00e3o ao tronco e aos ombros. N\u00e3o \u00e9 que minha cabe\u00e7a tenha aumentado. \u00c9 o restante do corpo que perdeu muito volume, principalmente na parte de cima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos bra\u00e7os, a sensa\u00e7\u00e3o visual \u00e9 de que praticamente desapareceu aquela musculatura e aquele tecido que deixavam o bra\u00e7o mais cheio. A parte de tr\u00e1s do bra\u00e7o ficou muito fina. O direito e o esquerdo me parecem parecidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atrofia do bra\u00e7o em si; a maior diferen\u00e7a que noto est\u00e1 mesmo no ombro esquerdo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-576x1024.webp\" alt=\"Foto real das m\u00e3os de Ronaldo, mostrando posi\u00e7\u00e3o dos dedos e punho.\" class=\"wp-image-842\" srcset=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-576x1024.webp 576w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-169x300.webp 169w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-768x1366.webp 768w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-864x1536.webp 864w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2.webp 899w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"pernas-coxas-gluteos-pes\" class=\"wp-block-heading\">Pernas, coxas, gl\u00fateos e p\u00e9s tamb\u00e9m mudaram<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu sempre tive as canelas mais finas. Depois da les\u00e3o, com a perda de musculatura da panturrilha, essa regi\u00e3o ficou ainda mais fina. Mas o que mais percebo nas pernas \u00e9 a perda de volume das coxas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes do acidente minhas coxas eram mais grossas. Eu carregava peso e tinha mais musculatura. Depois foram afinando. Meus gl\u00fateos tamb\u00e9m perderam bastante volume. Eu costumava ter a bunda mais cheia e hoje percebo claramente essa diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sei dizer s\u00f3 olhando se uma coxa perdeu mais massa que a outra. Nunca medi a circunfer\u00eancia das duas para comparar. Visualmente, para mim, parecem ter atrofiado de maneira semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus p\u00e9s t\u00eam outra quest\u00e3o. Eles n\u00e3o diminu\u00edram tanto de tamanho, mas t\u00eam pouca mobilidade e ficam em uma posi\u00e7\u00e3o muito r\u00edgida. Quando fico em p\u00e9 com ajuda, os calcanhares n\u00e3o encostam normalmente no ch\u00e3o. Eu apoio mais a regi\u00e3o anterior dos p\u00e9s e os calcanhares ficam levantados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa posi\u00e7\u00e3o pode envolver limita\u00e7\u00e3o de amplitude do tornozelo, contratura e outros fatores, mas n\u00e3o d\u00e1 para definir a causa apenas pela descri\u00e7\u00e3o. No meu caso, h\u00e1 tamb\u00e9m um hist\u00f3rico de espasticidade, contraturas e altera\u00e7\u00f5es musculoesquel\u00e9ticas que precisam ser consideradas separadamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"maos-mao-de-aranha\" class=\"wp-block-heading\">Minhas m\u00e3os e o que ouvi chamar de \u201cm\u00e3o de aranha\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma express\u00e3o que ficou na minha mem\u00f3ria foi <strong>\u201cm\u00e3o de aranha\u201d<\/strong>. Eu ouvi isso pela primeira vez durante minha passagem pelo Hospital SARAH, provavelmente de um fisioterapeuta. A express\u00e3o fazia sentido visualmente para mim porque alguns dedos foram ficando voltados para baixo e para dentro, lembrando uma garra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na minha m\u00e3o esquerda isso \u00e9 bem mais evidente. O indicador e o dedo do meio tendem a fechar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 palma, eu consigo estic\u00e1-los pouco e preciso fazer for\u00e7a. O punho esquerdo tamb\u00e9m tende a ficar dobrado para baixo e tenho bastante espasmo desse lado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-4-576x1024.webp\" alt=\"Palma da m\u00e3o esquerda mostrando contratura e atrofia muscular na tetraplegia\" class=\"wp-image-845\" srcset=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-4-576x1024.webp 576w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-4-169x300.webp 169w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-4-768x1366.webp 768w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-4-864x1536.webp 864w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-4.webp 899w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e3o direita ficou mais flex\u00edvel. Eu n\u00e3o tenho pin\u00e7a e n\u00e3o tenho for\u00e7a normal na m\u00e3o, mas o punho fica mais reto e consigo aproveitar melhor alguns movimentos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-1-576x1024.webp\" alt=\"Palma da m\u00e3o direita mostrando posi\u00e7\u00e3o dos dedos ap\u00f3s les\u00e3o medular\" class=\"wp-image-843\" srcset=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-1-576x1024.webp 576w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-1-169x300.webp 169w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-1-768x1366.webp 768w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-1-864x1536.webp 864w, https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/maos-de-aranha-2-1.webp 899w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante fazer uma corre\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica aqui: ao pesquisar para este artigo, eu n\u00e3o encontrei <strong>\u201cm\u00e3o de aranha\u201d como um diagn\u00f3stico m\u00e9dico padronizado para tetraplegia<\/strong>. Existem termos como \u201cm\u00e3o em garra\u201d para determinados padr\u00f5es de deformidade, mas eles t\u00eam crit\u00e9rios e causas espec\u00edficas. S\u00f3 pela minha descri\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria correto dizer que esse \u00e9 o diagn\u00f3stico da minha m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 para colocar tudo na conta da atrofia. O formato de uma m\u00e3o pode ser influenciado por perda muscular, espasticidade, contraturas, posi\u00e7\u00e3o mantida durante anos, altera\u00e7\u00f5es articulares, les\u00f5es antigas e outros fatores.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"dedos-deformados\" class=\"wp-block-heading\">Os dois dedos da m\u00e3o direita que ficaram deformados<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das coisas que mais me faz insistir em orienta\u00e7\u00e3o profissional aconteceu nos primeiros sete meses depois do acidente, antes de eu entrar no SARAH.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha fam\u00edlia era completamente leiga. Meus irm\u00e3os tentavam fazer exerc\u00edcios nos meus dedos para evitar que eles ficassem fechados. Durante essas mobiliza\u00e7\u00f5es, ouvi estalos em dois dedos da m\u00e3o direita: o <strong>anelar e o mindinho<\/strong>. Um irm\u00e3o estava fazendo exerc\u00edcio em um deles e outro irm\u00e3o no outro epis\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu n\u00e3o senti dor por causa da perda de sensibilidade, mas ouvi o estalo e entendi na hora que algo tinha acontecido. N\u00f3s n\u00e3o procuramos m\u00e9dico, n\u00e3o fizemos raio-X e n\u00e3o houve imobiliza\u00e7\u00e3o. Por isso, embora na fam\u00edlia sempre tenhamos tratado esses epis\u00f3dios como dedos quebrados, eu n\u00e3o tenho confirma\u00e7\u00e3o radiogr\u00e1fica daquela \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles cicatrizaram na posi\u00e7\u00e3o em que ficaram. O mindinho ficou voltado para baixo e o anelar ficou mais esticado, com a ponta ca\u00edda. At\u00e9 hoje est\u00e3o assim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje existe outro fator que me deixa ainda mais cauteloso: em 2026 minha densitometria mostrou <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/osteoporose-na-tetraplegia\/\">osteoporose<\/a>. Pessoas com les\u00e3o medular podem desenvolver perda importante de massa \u00f3ssea, e h\u00e1 relatos m\u00e9dicos de fraturas provocadas por traumas pequenos e at\u00e9 durante mobiliza\u00e7\u00f5es passivas. Um <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC6727444\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relato publicado de fratura durante exerc\u00edcios de amplitude de movimento (em ingl\u00eas)<\/a> refor\u00e7a por que movimentos for\u00e7ados precisam ser evitados e individualizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso tamb\u00e9m ajuda a colocar em perspectiva uma frase que ouvi muitos anos atr\u00e1s de uma fisioterapeuta: ela dizia que, se o exerc\u00edcio fosse feito errado, a \u201ccarne podia descolar do osso\u201d. Eu nunca soube se aquilo era verdade. Pesquisando para este artigo, n\u00e3o encontrei essa frase como uma descri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica padronizada. O que est\u00e1 documentado \u00e9 que for\u00e7a inadequada pode provocar les\u00f5es e, em pessoas com osso fragilizado, at\u00e9 fraturas. Por isso prefiro ficar com aquilo que a evid\u00eancia realmente sustenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"atrofia-contratura-espasticidade\" class=\"wp-block-heading\">Atrofia, contratura, espasticidade e ossifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo eu misturei alguns desses termos. Visualmente, para quem vive isso, parece que tudo faz parte da mesma mudan\u00e7a do corpo. Mas s\u00e3o coisas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Atrofia muscular:<\/strong> \u00e9 a perda de massa ou tamanho do m\u00fasculo. Depois da les\u00e3o medular, a redu\u00e7\u00e3o do uso, da carga e do comando neuromuscular pode contribuir para essa perda.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Espasticidade:<\/strong> \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o do t\u00f4nus associada a les\u00f5es do sistema nervoso central. No meu caso, ela aparece com rigidez e espasmos, que podem piorar com gatilhos como bexiga ou intestino cheios.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Contratura:<\/strong> \u00e9 uma perda de amplitude passiva causada por altera\u00e7\u00f5es e encurtamentos estruturais em m\u00fasculos, tend\u00f5es, c\u00e1psula articular e outros tecidos. Ela pode deixar uma articula\u00e7\u00e3o presa em determinada posi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Deformidade:<\/strong> descreve uma mudan\u00e7a de alinhamento ou formato. Pode existir por diferentes motivos e n\u00e3o identifica, sozinha, a causa.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica:<\/strong> \u00e9 forma\u00e7\u00e3o de osso em tecidos moles. Eu tenho esse diagn\u00f3stico registrado em exames recentes e j\u00e1 contei essa hist\u00f3ria no artigo sobre <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/ossificacao-heterotopica-lesao-medular\/\">ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica ap\u00f3s les\u00e3o medular<\/a>. Uma revis\u00e3o do SCIRE tamb\u00e9m define a condi\u00e7\u00e3o como forma\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica de osso em m\u00fasculo ou tecido mole.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa separa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque n\u00e3o seria correto olhar para minha m\u00e3o, meu quadril ou meu tornozelo e dizer que tudo foi \u201catrofia\u201d. O corpo pode ter mais de uma altera\u00e7\u00e3o acontecendo ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"gordura-abdominal\" class=\"wp-block-heading\">Por que fiquei com bra\u00e7os finos e barriga maior?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu costumo brincar que virei um ET: barriga maior, bra\u00e7os finos, pernas finas e a cabe\u00e7a parecendo grande em compara\u00e7\u00e3o com os ombros. \u00c0s vezes fa\u00e7o at\u00e9 a brincadeira do \u201ccasa, casa\u201d do filme E.T.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por muito tempo eu explicava isso dizendo que o c\u00e9rebro teria tirado gordura dos bra\u00e7os e das pernas e colocado na barriga. Depois de pesquisar melhor, vi que essa explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 correta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que os estudos mostram \u00e9 que a les\u00e3o medular pode alterar profundamente a <strong>composi\u00e7\u00e3o corporal<\/strong>: pode haver perda de massa magra e aumento da propor\u00e7\u00e3o de gordura corporal, inclusive gordura abdominal e visceral. Uma <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC8104368\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revis\u00e3o sobre composi\u00e7\u00e3o corporal em pessoas com les\u00e3o medular (em ingl\u00eas)<\/a> descreve justamente a combina\u00e7\u00e3o de menos massa magra, maior adiposidade e menor densidade \u00f3ssea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa que a gordura \u201cviajou\u201d de um lugar para outro comandada pelo c\u00e9rebro. S\u00e3o altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas e de composi\u00e7\u00e3o corporal que podem acontecer ao longo do tempo, influenciadas por menor massa muscular ativa, gasto energ\u00e9tico reduzido, alimenta\u00e7\u00e3o, idade, atividade f\u00edsica e outros fatores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meu caso, a diferen\u00e7a tamb\u00e9m aparece na roupa. Preciso de camisa mais larga por causa da barriga, mas a\u00ed sobra muito tecido nos ombros, principalmente do lado esquerdo, que \u00e9 mais atrofiado.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"adaptacoes-dia-a-dia\" class=\"wp-block-heading\">O que ainda consigo fazer com adapta\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das limita\u00e7\u00f5es, consegui adaptar muita coisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para comer sozinho, uso os clipes que aprendi a usar no SARAH e colheres adaptadas em casa. Para digitar no computador, uso um pino com uma ponta de silicone. Antigamente coloc\u00e1vamos borracha de apagar l\u00e1pis na ponta, mas ela soltava res\u00edduo e acabava criando uma crosta no teclado. A ponta de silicone funciona melhor para mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No celular, muitas vezes uso a lateral do mindinho. Quando estou com o clipe, apoio a ponta na bancada e consigo tocar na tela com o polegar. Fora da bancada, \u00e0s vezes apoio o telefone na coxa direita. Quando escrever fica dif\u00edcil, uso bastante o ditado por voz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cadeira el\u00e9trica surgiu uma adapta\u00e7\u00e3o curiosa. Justamente entre o anelar e o mindinho da m\u00e3o direita, os dois dedos que ficaram deformados, eu consigo encaixar o joystick. Mesmo sem sensibilidade normal na m\u00e3o, olho para a dire\u00e7\u00e3o da cadeira e consigo controlar o movimento. Quando os dedos escapam, eu os posiciono novamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para transfer\u00eancia, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. Eu n\u00e3o tenho for\u00e7a suficiente nos bra\u00e7os nem controle de tronco para fazer uma transfer\u00eancia sozinho. No passado, quando uma pessoa me transferia, eu ainda conseguia colocar o bra\u00e7o direito por cima do ombro dela e ajudar um pouco, como se desse um abra\u00e7o. Hoje continuo dependente de ajuda e de equipamentos para essas transfer\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se meu tronco cai muito para frente ou para um dos lados, eu n\u00e3o consigo retornar sozinho para a posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"fisioterapia-beneficios\" class=\"wp-block-heading\">O que a fisioterapia mudou para mim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos primeiros meses depois da les\u00e3o eu ainda tive algum ganho de movimento. Meu bra\u00e7o esquerdo inicialmente ficava ca\u00eddo. Depois de quatro ou cinco meses, passei a moviment\u00e1-lo de uma forma parecida com o que consigo at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outra fase, um fisioterapeuta me colocava sentado na cama e trabalhava meu tronco. Cheguei a ficar algum tempo equilibrado sentado. Era um esfor\u00e7o enorme e a musculatura das costas cansava muito. Com os anos, perdi essa capacidade de me manter sentado daquele jeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que mais noto hoje \u00e9 que meu corpo ficou mais r\u00edgido. As articula\u00e7\u00f5es tinham mais mobilidade antigamente. No meu caso, a <strong>atrofia muscular na tetraplegia<\/strong> veio acompanhada ao longo dos anos por mais rigidez e perda de mobilidade nas articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, a fisioterapia continua fazendo diferen\u00e7a para mim. Quando passo um tempo sem exerc\u00edcio, sinto o bra\u00e7o como se estivesse mais pesado. Depois de movimentar, levar o bra\u00e7o para tr\u00e1s, para cima e fazer alongamentos, ele parece mais leve e consigo levant\u00e1-lo com mais facilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas pernas tamb\u00e9m percebo que, depois de uma sequ\u00eancia de movimentos, meus espasmos podem ficar mais brandos. A sensa\u00e7\u00e3o geral \u00e9 de que o corpo fica mais leve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o efeito que eu percebo em mim. N\u00e3o significa que o mesmo exerc\u00edcio, intensidade ou n\u00famero de repeti\u00e7\u00f5es seja apropriado para outra pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/fisioterapia-na-tetraplegia\/\">meu artigo sobre fisioterapia na tetraplegia<\/a> contei com mais detalhes o que aprendi no Jo\u00e3o XXIII, no SARAH e em casa, inclusive o uso de talas e \u00f3rteses.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"autoestima-corpo\" class=\"wp-block-heading\">A mudan\u00e7a no corpo tamb\u00e9m mexeu com minha autoestima<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 um assunto dif\u00edcil de separar da parte f\u00edsica. Eu conhecia meu corpo antes da les\u00e3o. Ver como ele ficou hoje me causa tristeza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tenho um espelho grande em frente \u00e0 cama, praticamente do tamanho de um guarda-roupa. Quando estou deitado fico de frente para ele, mas n\u00e3o gosto muito de me observar. N\u00e3o gosto de me ver no espelho como antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As roupas tamb\u00e9m mostram essa diferen\u00e7a. A barriga ficou maior e os ombros ficaram muito menores. Para a camisa servir na regi\u00e3o abdominal, ela precisa ser larga. S\u00f3 que, quando chega nos ombros, sobra pano, principalmente do lado esquerdo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes eu brinco com a situa\u00e7\u00e3o e digo que virei um ET: barriga grande, bra\u00e7os e pernas finos e a cabe\u00e7a parecendo maior. O humor ajuda, mas isso n\u00e3o quer dizer que a mudan\u00e7a n\u00e3o me entriste\u00e7a.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de mais de duas d\u00e9cadas vivendo assim, aprendi a relevar muita coisa e seguir a vida dentro da condi\u00e7\u00e3o que tenho. Mas seria mentira dizer que a transforma\u00e7\u00e3o do corpo n\u00e3o mexe comigo.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"conselho-lesao-medular\" class=\"wp-block-heading\">O conselho que dou para quem sofreu uma les\u00e3o medular recentemente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se eu pudesse voltar aos primeiros meses, eu procuraria mais orienta\u00e7\u00e3o profissional desde o come\u00e7o. N\u00e3o porque eu esperaria que fisioterapia apagasse uma les\u00e3o C4 ou garantisse que meus m\u00fasculos n\u00e3o atrofiariam, mas porque hoje entendo muito melhor o valor de preservar articula\u00e7\u00f5es, posicionamento, amplitude poss\u00edvel e seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha fam\u00edlia tentou me ajudar como conseguia. O problema \u00e9 que \u00e9ramos leigos. Os epis\u00f3dios dos meus dedos mostram que boa inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o substitui orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m tentaria organizar o acesso \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o o mais cedo poss\u00edvel. No meu caso, transporte, dinheiro e depend\u00eancia de outras pessoas tornaram muito dif\u00edcil manter fisioterapia regularmente. Durante um per\u00edodo meu irm\u00e3o conseguiu me ajudar bastante. Depois que ele faleceu, a rotina ficou ainda mais dependente dos meus pais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto que considero importante \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o de les\u00f5es por press\u00e3o. No meu caso, em 2004, uma escara atrasou minha entrada no programa de reabilita\u00e7\u00e3o do SARAH por cerca de sete meses. Essa foi a minha experi\u00eancia naquela \u00e9poca; n\u00e3o estou dizendo que essa seja uma regra atual da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha orienta\u00e7\u00e3o pessoal para uma fam\u00edlia que acabou de entrar nessa realidade \u00e9: procure profissionais que conhe\u00e7am les\u00e3o medular, pergunte, aprenda como movimentar o corpo com seguran\u00e7a e n\u00e3o fa\u00e7a movimentos bruscos ou for\u00e7ados tentando \u201csoltar\u201d uma articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"atendimento-sarah\" class=\"wp-block-heading\">Como solicitar atendimento no Hospital SARAH<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Hospital SARAH foi muito importante na minha reabilita\u00e7\u00e3o e foi onde aprendi boa parte do que passei a fazer em casa. Por isso, quando algu\u00e9m me pergunta o que faria no come\u00e7o da les\u00e3o, uma das minhas respostas \u00e9 tentar entrar em contato com um servi\u00e7o especializado o quanto antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a pr\u00f3pria Rede SARAH informa que o atendimento come\u00e7a por uma consulta m\u00e9dica previamente agendada. A solicita\u00e7\u00e3o de primeira consulta pode ser feita pelo site oficial, escolhendo a unidade e o tipo de atendimento. A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m informa que uma equipe avalia a solicita\u00e7\u00e3o e entra em contato depois dessa an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.sarah.br\/solicitacao-de-atendimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Solicitar primeira consulta na Rede SARAH<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.sarah.br\/pacientes-e-visitantes\/consultas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Documentos e informa\u00e7\u00f5es para consultas<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para adultos, a p\u00e1gina oficial informa como documenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica um documento oficial com foto, CPF e comprovante de resid\u00eancia. A Rede tamb\u00e9m orienta levar exames e laudos relacionados ao motivo da consulta e os medicamentos em uso nas embalagens originais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meu caso, minha hist\u00f3ria com a institui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em Belo Horizonte em 2004. J\u00e1 contei essa trajet\u00f3ria com mais detalhes no artigo <a href=\"https:\/\/ronaldotetraplegia.com.br\/en\/hospital-sarah-e-lesao-medular\/\">Hospital SARAH e les\u00e3o medular: minha experi\u00eancia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"o-que-aprendi\" class=\"wp-block-heading\">O que aprendi vendo meu corpo mudar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>atrofia muscular na tetraplegia<\/strong> mudou meu corpo de uma maneira que eu jamais imaginaria antes do acidente. Meus ombros e bra\u00e7os foram os lugares em que mais percebi a perda de volume. Coxas, panturrilhas e gl\u00fateos tamb\u00e9m mudaram. Ao mesmo tempo, minhas m\u00e3os e outras articula\u00e7\u00f5es foram ficando mais r\u00edgidas e assumindo posi\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje sei que n\u00e3o posso colocar tudo numa palavra s\u00f3. Atrofia n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que contratura. Espasticidade n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que deformidade. Ossifica\u00e7\u00e3o heterot\u00f3pica \u00e9 outra condi\u00e7\u00e3o. E uma m\u00e3o que mudou de formato durante anos pode ter mais de um fator envolvido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m aprendi que fisioterapia n\u00e3o precisa significar apenas \u201cvoltar a andar\u201d ou \u201crecuperar tudo\u201d. Para mim, muitas vezes o benef\u00edcio est\u00e1 em algo mais simples: sentir o bra\u00e7o mais leve, conseguir moviment\u00e1-lo melhor naquele momento, diminuir a rigidez e tentar preservar o que ainda tenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu gostaria de ter recebido e conseguido manter mais orienta\u00e7\u00e3o desde o come\u00e7o. N\u00e3o posso voltar a 2004, mas posso contar o que aconteceu comigo para que outra pessoa e sua fam\u00edlia cheguem mais informadas do que n\u00f3s chegamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Este relato descreve a minha experi\u00eancia pessoal. Les\u00f5es medulares podem produzir n\u00edveis muito diferentes de for\u00e7a, sensibilidade, espasticidade, atrofia e capacidade funcional. Avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e de reabilita\u00e7\u00e3o individual \u00e9 especialmente importante antes de iniciar ou modificar exerc\u00edcios e mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aviso importante: este artigo conta a minha experi\u00eancia pessoal com tetraplegia C4 e re\u00fane informa\u00e7\u00f5es gerais sobre les\u00e3o medular. 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