Informações verificadas em 02/10/2026: este artigo mistura minha experiência pessoal com as regras atuais de gratuidade no transporte. Os benefícios não são todos iguais: ônibus municipal, metrô, transporte intermunicipal de Minas Gerais e Passe Livre Interestadual possuem regras próprias. Como essas normas e procedimentos podem mudar, vale conferir novamente os canais oficiais antes de fazer uma solicitação ou reservar uma viagem.
O passe livre para PCD já fez parte da minha vida por muitos anos. Depois da tetraplegia, tive carteirinhas em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e também uma credencial federal. Usei ônibus e metrô sem pagar e, no meu caso, também precisava que o acompanhante tivesse gratuidade.
Hoje todas essas carteirinhas estão vencidas. Como quero voltar a ter esses benefícios, resolvi pesquisar o que mudou, o que ainda existe e quais documentos preciso providenciar.
A primeira coisa que descobri é que não existe uma única carteirinha que automaticamente resolva tudo. Cada sistema precisa ser analisado separadamente.
Índice
- Minha experiência com o passe livre
- Como eu usava ônibus e metrô em Belo Horizonte
- As carteirinhas que tive no Rio de Janeiro
- Meu antigo Passe Livre federal
- Por que preciso de acompanhante
- Minha situação hoje
- Cartão BHBUS Benefício Inclusão atualmente
- E a gratuidade no Metrô BH?
- Grande BH e linhas metropolitanas
- Gratuidade intermunicipal em Minas Gerais
- Passe Livre Interestadual federal
- Acompanhante e reserva em viagem interestadual
- Os documentos que pretendo providenciar
- O que ainda vou atualizar neste artigo
Minha experiência com o passe livre
Por volta de 2011 a 2013, eu tinha uma carteirinha de gratuidade em Belo Horizonte. Era um cartão nominal, com minha foto, meu nome, data de validade e algum número de identificação ou registro.
Não me lembro mais onde fiz a primeira solicitação nem de todos os documentos que foram pedidos naquela época. Também não lembro exatamente o prazo de validade, mas sei que precisava renovar.
O que lembro muito bem é do uso. Eu não pagava passagem e a pessoa que estava comigo como acompanhante também não pagava. Se estivéssemos em três pessoas, a terceira pagava normalmente.
Naquela época, ter a carteirinha fazia bastante diferença. Eu podia sair de casa sem precisar calcular o custo de cada passagem minha e da pessoa que precisava me acompanhar.
Como eu usava ônibus e metrô em Belo Horizonte
Entre aproximadamente 2011 e 2013, eu usava o mesmo cartão nos ônibus de Belo Horizonte e também no metrô.
Fiz várias vezes um trajeto em que pegava o metrô em Belo Horizonte, descia na Estação Eldorado e dali seguia de ônibus para Betim. Na minha experiência daquela época, o cartão funcionava nessa sequência de deslocamentos como parte da integração.
Quando precisava resolver alguma coisa no centro de Belo Horizonte, também usava o metrô e descia na região central.
No metrô, eu passava o cartão no leitor, mas não atravessava a catraca com a cadeira. Um funcionário ou vigilante abria o portão lateral e liberava minha passagem e a do acompanhante. Não me lembro de ter tido problema ou recusa da gratuidade.
Nos ônibus, a experiência era mais complicada por causa da acessibilidade. Quando a rampa ou o elevador da porta do meio funcionava, eu entrava por ali. Minha companheira muitas vezes ficava perto de mim por medo de a cadeira tombar.
Em alguns lugares, o desnível entre a calçada, a prancha do ônibus e o asfalto era tão ruim que subir ou descer de frente podia ser arriscado. Em algumas situações passei a entrar de ré pela rampa. Outras vezes era mais seguro descer no próprio asfalto do que tentar colocar a cadeira numa calçada muito irregular.

Esse tipo de dificuldade mostra uma coisa que a carteirinha de gratuidade, sozinha, não resolve: ter direito ao transporte não significa necessariamente conseguir entrar e sair do veículo com facilidade e segurança.
As carteirinhas que tive no Rio de Janeiro
Quando morei no Rio de Janeiro, entre 2014 e dezembro de 2017, também tive benefício de transporte gratuito.
Lá era diferente. Eu tinha um cartão para ônibus e outro para metrô. Usei bastante o cartão de ônibus, mas não cheguei a usar o cartão do metrô porque meus trajetos não exigiam isso.
Pelo que lembro, no cartão de ônibus podiam ser registradas duas passagens, a minha e a do acompanhante. Nem sempre o procedimento era exatamente igual: às vezes a pessoa passava pela roleta, em outras o motorista simplesmente liberava.
A última carteirinha desse período venceu por volta de 2018, quando eu já havia voltado para Minas Gerais.
Foi também no Rio que enfrentei boa parte das situações mais difíceis de acessibilidade em ônibus. Na época em que morei lá, não me lembro de usar linhas com cobrador. Em algumas ocasiões o equipamento de acessibilidade não funcionava e precisei ser retirado ou colocado no ônibus com ajuda de outras pessoas.
Meu antigo Passe Livre federal
Eu também já tive uma carteirinha federal de Passe Livre.
Foi pouco depois da minha passagem pelo Hospital SARAH, provavelmente entre 2004 e 2005. Pedi documentação para uma assistente social do SARAH, digitalizei o que foi necessário e enviei para conseguir o benefício.
Não me lembro exatamente de todos os detalhes dessa carteirinha nem de como aparecia o acompanhante. Como eu já dependia de outra pessoa para viajar, acredito que havia alguma informação relacionada ao acompanhante, mas não quero transformar essa lembrança em certeza.
Essa credencial deve ter vencido por volta de 2008. Apesar de ter conseguido o Passe Livre federal, nunca cheguei a usá-lo para viajar de ônibus de um estado para outro.
Já viajei de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro depois da lesão, mas fui de Kombi, não em ônibus rodoviário regular.
Por que preciso de acompanhante
No meu caso, acompanhante não significa simplesmente ter alguém para conversar durante a viagem.
Sou tetraplégico e dependo de ajuda para várias tarefas. Numa viagem de ônibus mais longa posso precisar de auxílio para transferência entre cadeira e poltrona, posicionamento do corpo, alimentação, água, bagagem, manejo da cadeira de rodas e cateterismo.
Se eu passar muitas horas sentado, também posso precisar que a pessoa me ajude a mudar um pouco o apoio do corpo para um lado e para o outro.
Na viagem que fiz de Cabo Frio para o Rio de Janeiro em 2015, fui colocado numa poltrona no corredor, atrás do motorista, e meu acompanhante ficou ao lado. A cadeira elétrica foi fechada e levada no bagageiro.
Eu havia feito o cateterismo antes de sair e a viagem não foi longa o suficiente para precisar fazer outro durante o trajeto. Numa viagem de seis, oito ou dez horas, seria diferente.
Minha preferência seria aproveitar uma parada, descer e fazer o cateterismo num local reservado. Se não houvesse condição prática de desembarcar, teria de encontrar outra solução durante a viagem. Por isso saber onde a cadeira fica, como funciona o desembarque nas paradas e qual assistência existe faz diferença para mim.

Essa necessidade de acompanhante também aparece quando penso em viajar de avião sendo cadeirante. O tipo de transporte muda, mas minha dependência de ajuda em várias atividades continua.
Minha situação hoje
Hoje, em 2026, não tenho nenhuma carteirinha de gratuidade válida.
Como atualmente saio pouco, normalmente acabo usando carro comum ou transporte por aplicativo. É mais rápido em algumas situações, mas também custa mais. Quando somamos várias saídas, o gasto pesa.
Por isso quero solicitar novamente o passe livre para PCD e os demais benefícios aos quais eu realmente tiver direito. Não quero esperar aparecer uma viagem, festa, casamento ou outro compromisso para começar a correr atrás de documentos.
Se surgir a oportunidade e eu já estiver com a documentação regularizada, fica muito mais fácil organizar a viagem e arrumar alguém para ir comigo.
Cartão BHBUS Benefício Inclusão atualmente
Em Belo Horizonte, a gratuidade municipal para pessoas com deficiência é oferecida atualmente pelo Cartão BHBUS Benefício Inclusão.
A própria Prefeitura de Belo Horizonte inclui expressamente a tetraplegia entre as condições enquadradas como deficiência física para esse benefício.
A PBH informa também que o cartão pode ter características diferentes conforme a avaliação: com ou sem acompanhante e com ou sem passagem pela roleta. Isso é especialmente importante no meu caso, porque não consigo atravessar uma catraca comum usando a cadeira de rodas e dependo de ajuda de outra pessoa nos deslocamentos.
Para quem reside em Belo Horizonte, a solicitação inicial é encaminhada pelo Portal de Serviços da Prefeitura e existe uma avaliação diagnóstica. Segundo as informações atuais da PBH, o agendamento ocorre pelo sistema conforme disponibilidade.
Já moradores de municípios da Região Metropolitana que tenham convênio com Belo Horizonte devem iniciar o pedido no próprio município, geralmente por serviço social ou CRAS. Depois o processo é encaminhado para avaliação.
A Prefeitura informa ainda que a revalidação do BHBUS Benefício Inclusão é feita a cada três anos. A página específica dos serviços de gratuidade da SUMOB reúne solicitação, revalidação, alteração para acompanhante, segunda via e recursos.
Outro detalhe importante é a renda. Desde a Lei Municipal nº 10.644/2013, a pessoa com deficiência não pode ter negado o acesso aos direitos previstos na legislação municipal por causa de sua renda pessoal ou familiar. Isso diferencia o benefício municipal de outros programas que veremos mais abaixo.
E a gratuidade no Metrô BH?
Aqui encontrei uma situação que exige cuidado.
Na minha experiência entre 2011 e 2013, eu usava meu cartão também no metrô e entrava gratuitamente com acompanhante.
Hoje, porém, a página oficial do Metrô BH não apresenta a pessoa com deficiência na lista específica intitulada “Quem tem direito à gratuidade no Metrô?”. A lista atual cita idosos com mais de 65 anos e algumas categorias profissionais.
Ao mesmo tempo, logo antes dessa lista, a própria página diz que, se o usuário não conseguir realizar determinado procedimento, pode apresentar identidade ou cartão BHBUS a um funcionário e terá acesso gratuito. O site não deixa claro nesse trecho se está falando especificamente do BHBUS Benefício Inclusão para PCD.
Por causa dessa falta de clareza, não considero correto publicar que o BHBUS para PCD garante automaticamente hoje a gratuidade no metrô. Antes de eu voltar a usar o sistema, pretendo confirmar diretamente com o Metrô BH qual documento é aceito para mim e para o acompanhante.
A página oficial confirma, pelo menos, que pessoas com deficiência física ou visual podem solicitar acompanhamento de funcionário nas estações.
Grande BH e linhas metropolitanas
Também não dá para considerar todo o transporte da Grande BH como se fosse um único sistema.
Hoje existem linhas municipais de Belo Horizonte, sistemas municipais de cidades como Betim e Contagem, linhas metropolitanas administradas no âmbito estadual e o próprio metrô.
A página do Metrô BH, por exemplo, apresenta contatos separados para BHTrans/SUMOB, Cartão BHBUS, Transcon, Cartão Ótimo, Transbetim e DER-MG.
Isso ajuda a entender por que minha experiência de mais de dez anos atrás não pode ser usada como prova de que o mesmo cartão ainda funciona hoje em todos esses sistemas.
Gratuidade intermunicipal em Minas Gerais
Para viagens intermunicipais dentro de Minas Gerais existe outra regra.
A Lei Estadual nº 21.121/2014 garante gratuidade à pessoa com deficiência que tenha renda individual inferior a dois salários mínimos.
A lei limita a gratuidade a dois assentos por viagem, disponibilizados conforme a ordem das solicitações. Isso não significa dois assentos para cada beneficiário. São as vagas gratuitas reservadas nesse regime.
Para as viagens que exigem reserva, o pedido deve ser feito com no mínimo 12 horas de antecedência da partida do ponto inicial da linha.
Existe ainda a carteira SINDPASSE, mas o próprio SINDPAS informa atualmente que a emissão da carteira para pessoa com deficiência está suspensa por prazo indeterminado.
Isso não acabou com o direito. Para quem não possui carteira válida, as informações atuais do DER-MG e do SINDPAS orientam apresentar diretamente à empresa, tanto na reserva como no embarque, documento de identidade, comprovação de renda individual e laudo médico-pericial emitido por profissional de saúde pertencente a entidade integrante do SUS.
Nessa legislação estadual que consultei, não encontrei garantia equivalente de gratuidade para o acompanhante da pessoa com deficiência. Existem propostas legislativas para ampliar direitos relacionados ao acompanhante, mas não posso tratar projeto de lei como direito já vigente.
Passe Livre Interestadual federal
O passe livre para PCD em viagens interestaduais é um benefício federal diferente das carteirinhas municipais e estaduais.
Segundo a página oficial do Passe Livre Interestadual Digital, é preciso cumprir dois requisitos: ser pessoa com deficiência e ter renda familiar por pessoa de até um salário mínimo.
O processo atual é digital. Dependendo da situação cadastral, o sistema pode verificar informações por meio do BPC, CadÚnico e Cadastro-Inclusão. Quando necessário, o médico também pode registrar a condição de pessoa com deficiência diretamente no sistema.
Esse ponto é bem diferente da carteira que tive no começo dos anos 2000. Naquela época lembro de pedir documento à assistente social do SARAH, escanear e enviar. Hoje existe integração eletrônica e participação direta do médico dentro do portal.
Antes de afirmar que eu próprio cumpro o critério econômico atual, preciso conferir a composição familiar e a renda consideradas pelo programa. Não basta ser pessoa com deficiência para receber automaticamente esse benefício federal.
Acompanhante e reserva em viagem interestadual
No Passe Livre federal, a necessidade de acompanhante pode ser reconhecida oficialmente.
A página do serviço, atualizada em setembro de 2026, informa que o médico deve acessar a área médica do sistema com sua conta Gov.br e identificação profissional, registrar a necessidade de acompanhante e assinar o documento.
Depois desse registro, a credencial do beneficiário é atualizada para indicar “ACOMPANHANTE: Sim”. A orientação atual também informa que não é necessário cadastrar antecipadamente uma pessoa específica como acompanhante. Quem for viajar junto apresenta sua identificação na emissão do bilhete.
Para o transporte rodoviário interestadual, a regra atual da ANTT também merece atenção. A Resolução nº 6.033/2023 prevê vagas gratuitas sem limitação numérica de assentos para pessoas com deficiência comprovadamente carentes e titulares do Passe Livre, sujeitas à disponibilidade na viagem. A mesma gratuidade se estende ao acompanhante quando essa necessidade estiver indicada na credencial.
Isso é diferente da regra de apenas duas vagas gratuitas aplicada a outros grupos e também diferente das duas vagas do benefício intermunicipal de Minas Gerais.
A ANTT determina que a reserva das vagas destinadas aos benefícios seja assegurada até três horas antes da partida do ponto inicial da linha. Depois desse prazo a empresa pode colocar os assentos à venda, embora aqueles que ainda não tiverem sido comercializados continuem disponíveis aos beneficiários.
Ou seja, se eu decidir fazer minha primeira viagem interestadual regular de ônibus, não pretendo deixar a emissão do bilhete para a última hora.
Os documentos que pretendo providenciar
Minha intenção agora é organizar a documentação de uma vez e pedir os benefícios aos quais eu realmente tiver direito.
Já estava preparando documentação médica para renovar minha Credencial de Estacionamento PCD. Como os pedidos de transporte também podem precisar de comprovação médica, faz sentido tentar obter do Hospital SARAH um relatório mais completo, desde que todas as informações estejam de acordo com meu prontuário e com a avaliação médica.
Esse relatório pode registrar, quando o médico confirmar, minha lesão medular cervical, tetraplegia, uso de cadeira de rodas, comprometimento permanente de mobilidade e necessidade de ajuda de outra pessoa para deslocamentos e cuidados.
No meu caso também é relevante explicar que dependo de outra pessoa para realizar o cateterismo. Em viagens longas, isso é uma das razões práticas pelas quais o acompanhante pode ser necessário.
Para o Passe Livre federal, porém, ter somente um PDF pode não resolver toda a etapa médica. O sistema atual permite que o próprio médico registre eletronicamente a deficiência e a necessidade de acompanhante. Por isso vou tentar pedir ao SARAH não apenas o relatório, mas também orientação sobre esse registro digital.

Minha experiência com o Hospital SARAH desde 2004 mostra como manter relatórios e documentos organizados faz diferença. Hoje procuro guardar tudo também em formato digital.
O que ainda vou atualizar neste artigo
Hoje eu tenho a experiência antiga e a pesquisa das regras atuais. O próximo passo será fazer os pedidos de verdade.
Quando eu solicitar novamente o BHBUS, confirmar a situação do metrô, tentar o benefício intermunicipal e pedir o Passe Livre federal, pretendo voltar a este artigo para contar o que aconteceu na prática: quais documentos aceitaram, se precisei de avaliação presencial, quanto tempo demorou, se o acompanhante foi aprovado e como ficou a emissão da credencial.
Também quero registrar a primeira viagem interestadual de ônibus quando ela acontecer. Até hoje eu nunca fiz uma viagem regular de ônibus de um estado para outro depois da tetraplegia.
Ter o passe livre para PCD pronto não significa que eu vá viajar toda semana. Para mim, significa ter uma possibilidade aberta. Se surgir uma festa, um casamento, uma visita ou simplesmente vontade de passear, não preciso começar toda a burocracia naquele momento.
Depois de muitos anos sem essas carteirinhas, quero deixar a documentação organizada novamente. Se aparecer a oportunidade, arrumo alguém para ir comigo e a gente vai.
Fontes oficiais consultadas: Prefeitura de Belo Horizonte/SUMOB e BHTrans, Metrô BH, Assembleia Legislativa de Minas Gerais, DER-MG, SINDPAS/SINDPASSE, Portal Gov.br e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Pesquisa atualizada em 02/10/2026.




